Por que Zuckerberg perdeu US$ 19 bi enquanto Bezos ganhou US$ 23 bi em 2018?

Por que Zuckerberg perdeu US$ 19 bi enquanto Bezos ganhou US$ 23 bi em 2018?

01/01/2019 0 Por Fala Geek

O ano não foi fácil para as empresas de tecnologia. Principalmente se você tivesse dinheiro investido em algumas delas. Mark Zuckerberg, CEO e presidente do Facebook, que o diga. Ele foi o bilionário que viu a fortuna diminuir com mais intensidade dentre todos os 500 mais endinheirados do mundo. Já o que mais encheu o bolso foi Jeff Bezos, chefão da Amazon, que ficou US$ 23,4 bilhões mais rico. Em um ano movimentado como o de 2018, ver quem ganhou e quem perdeu na Bolsa ajuda a remontar a idas e vindas no mundo da tecnologia, dos embates do Google com reguladores europeus às tragadas suspeitas de Elon Musk, o presidente-executivo da Tesla.

Zuckerberg: perdeu US$ 19,6 bilhões As diversas turbulências enfrentadas pelo Facebook, por exemplo, fizeram Zuck ficar US$ 19,6 bilhões mais pobre. Se no primeiro dia do ano, a fortuna do executivo era estimada em US$ 72,8 bilhões, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg, ela começa o penúltimo pregão do ano estimada em US$ 53,2 bilhões.

O patrimônio dele derrapou devido aos vários obstáculos na pista encarados pelo Facebook durante uma trajetória longa e tortuosa — e eles, claro, afetaram as ações da empresa. E quem sofreu foram donos desses papéis — Zuckerberg, por exemplo, possui 13% deles. Houve dois grandes momentos em que o mercado reagiu muito mal a problemas do Facebook. O primeiro foi o escândalo da Cambridge Analytica. A consultoria política comprou dados de milhões de pessoas que foram roubados da rede social. Utilizou as informações para influenciar os resultados da eleição norte-americana, que elegeu Donald Trump, e o plebiscito que tirou o Reino Unido da União Europeia. Durante 10 pregões, a fortuna.

As flutuações do mercado, porém, também deram alegrias ao CEO. As respostas dadas por ele durante os dois dias de sabatina no Congresso norte-americano agradaram. Até julho, o Facebook recuperou a confiança dos investidores, e as ações voltaram a subir. A situação estava tão boa que a fortuna de Zuck chegou a US$ 86,5 bilhões. Foi aí que surgiu o segundo péssimo momento para o Facebook. Após a rede social anunciar os resultados financeiros do segundo trimestre e mostrar qual era sua expectativa para os meses seguintes, o mercado não gostou do que viu: o principal motor de faturamento da empresa, a publicidade paga no Facebook, em franca desaceleração, enquanto outras fontes de receita — Instagram, WhatsApp e companhia – sem força suficiente para manter o crescimento esperado. Como resultado, as ações despencaram 20%, a maior queda já sofrida em um só dia por uma empresa em toda história de Wall Street. Desde então, a rede social foi obrigada a revelar outros problemas de privacidade, como a falha que expôs dados a quem quisesse roubá-los, e o vazamento de fotos, inclusive as que nem haviam sido compartilhadas ainda. A companhia ainda teve de lidar com esqueletos no armário: planos antigos para vender dados e o envio de informações pessoais de seus usuários, como mensagens, a grandes aplicativos, como Netflix e Spotify.

Jeff Bezos: ganhou US$ 23,4 bilhões A vida de outro magnata da tecnologia foi bem mais suave. Jeff Bezos, CEO da Amazon, já era a pessoa mais rica do mundo, mas ficou ainda mais endinheirado: acrescentou US$ 23,4 bilhões e chegou a US$ 122 bilhões.

Durante 2018, a empresa que ele lidera se deu bem até quando as coisas deram errado. Em uma decisão controversa, a Amazon vendeu tecnologia de reconhecimento facial para a agência dos EUA que lida com a imigração. O que aconteceu? O mercado adorou. Quando derrapou e seu serviço de computação em nuvem deu uma fraquejada, os mais populares serviços conectados do mundo, como Netflix, Spotify, AirBnb, saíram do ar. Não só eles, aliás: CIA e Nasa também ficaram inacessíveis. O que aconteceu? O mundo percebeu que parte considerável da internet depende da Amazon Web Services.

Mas só isso não seria responsável para explicar porque a companhia atingiu o valor de US$ 1 trilhão na Bolsa e, por algum momento, foi a empresa mais valiosa de Wall Street, à frente da Apple.

Fato foi que a Amazon começou a tirar do papel seu plano de não ser apenas uma gigante do comércio eletrônico: foi em 2018 que seu modelo de loja de conveniência sem caixas registradoras nem atendentes ganhou vida — Sim, na Amazon Go, é pegou, levou, sem precisar escanear códigos de barras; a loja simplesmente sabe que produto você comprou e manda a conta para o seu celular. Já são nove as Amazon Go nos EUA e a ideia é abrir 3 mil até 2021. Ainda dentro de seu braço varejista, a Amazon integrou aos seus serviços de entrega os produtos da Whole Foods, a rede de produtos saudáveis comprada em 2017.

Também foi o ano em que a Alexa, assistente virtual da Amazon, chegou a mais alto-falantes conectados e ampliou a vantagem para os concorrentes Siri e Google Assistente. Ainda no campo da inteligência artificial, a empresa ficou ainda mais próxima de ampliar a dependência do serviço público norte-americano de suas ferramentas, já que disputa um contrato do Pentágono, de US$ 10 bilhões, e alguns dos principais concorrentes, como o Google, já abandonaram a competição. A cereja do bolo, no entanto, foi a escolha de sua segunda sede. A Amazon transformou o processo seletivo em um festival de agrados: algumas cidades prometeram bilhões de dólares em benefícios fiscais e outras comodida.
No fim das contas, a empresa acabou escolhendo não um, mas dois novos lares: Long Island City (Nova York), no coração econômico norte-americano, e Crystal City (Virgínia), pertinho do centro político, em Washington.

Nem só de Amazon viveu Bezos neste ano. Sua outra empreitada, a empresa aeroespacial Blue Origin, avançou em seus planos para levar humanos ao espaço — de forma bem menos escandalosa que a SpaceX, de Elon Musk, é claro. Tanto que ele foi agraciado com o prêmio principal do Explorers Club, que parabeniza ícones da exploração científica no mar, terra, ar e espaço.