Cinema | Como os cinemas vão sobreviver ao isolamento social e à crise do novo coronavírus?

Cinema | Como os cinemas vão sobreviver ao isolamento social e à crise do novo coronavírus?

06/03/2020 0 Por Fala Geek

Sabe aquela sensação de sair de casa, seja sozinho(a), com namorado(a) ou grupo de amigos(as), ir até algum cinema, seja de rua ou shopping, comprar um ingresso de um filme – até talvez uma pipoca e refrigerante -, entrar na sala e ter uma experiência que só uma sala de cinema pode oferecer?

Bom, com a pandemia da covid-19, isso foi anulado – como também a ida a teatros, casa de amigos e familiares e shows, por exemplo – e os cinemas precisam lidar com as atividades pausadas indefinidamente e buscar outros meios de renda. Ou seja, esses estabelecimentos precisam buscar sobreviver ao isolamento social e à crise do novo coronavírus.

Durante todo esse caos, os cinemas drive-in viraram opção. Segundo o G1, esse tipo de exibição de filmes se multiplicou no Brasil durante a crise do coronavírus. Essa modalidade foi criada nos Estados Unidos, por Richard M. Hollingshead Jr., em 1932. Além disso, foi retratada em diversos filmes e por anos foi uma tendência. 

No Brasil, o cinema drive-in chegou em 1973, com a criação do Cine Drive-in, em Brasília, em atividade até os dias de hoje. Outro projeto de cinema drive-in ganhou bastante destaque, chamado Cine Autorama – realizado pela Brazucah Produções, cuja missão é democratizar acesso audiovisual e formação de público para o cinema brasileiro. 

Em entrevista à Rolling Stone BrasilMarco Costa, idealizador e coordenador do Cine Autorama e sócio na Brazucah Produções, falou sobre cinema drive-in no Brasil.

Cine Autorama surgiu, em 2015, quando, de acordo com Costa, “surgiu a ideia: ‘por que não retomar essa história dos drive-ins?'”. A primeira ação foi no estacionamento de um shopping na divisa de São Paulo com Osasco. “A gente ficou nesse projeto por dois meses, realizando sessões de drive-in todo fim de semana”, disse o coordenador. “Foi muito bem sucedido, as inscrições esgotavam muito rapidamente e desde então a gente começou a expandir o projeto”.

No ano seguinte, em 2016, o projeto expandiu a atuação e foi realizado em 20 cidades do estado de São Paulo. Em 2017, o Cine Autorama foi além e também teve atuação no Rio Grande do Sul. No ano seguinte, 2018, estados como Pará, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul receberam o projeto. “A gente circulou aí quase todo o país com o projeto”, falou Marco Costa.

No entanto, chegou a pandemia do novo coronavírus, e deixou as atividades do Cine Autorama paralisadas. Atualmente, a produção está no momento de “planejamento da retomada” e já possuem até “alguns parceiros pra viabilizar os eventos, mas a gente está esperando uma autorização real da atividade de drive-in”.

Ou seja, a liberação do cinema drive-in “está sendo pautada com a Secretaria Estadual de Cultura, aqui de SP”. Então, “é definido um protocolo de segurança dessa atividade, que também conta com a Secretaria de Saúde para aprovação”.

Além desse obstáculo, o Cine Autorama tem problemas com espaço para realizar atividade. “Se for pensar que na cidade de São Paulo, os shoppings estão fechados, onde a gente faz bastante evento”, explicou Costa. Ou seja, “os shoppings não podem operar, então a gente não pode realizar atividade no estacionamento”. 

Assim que ocorrer a liberação dos cinemas drive-in, a modalidade se tornará um dos meios de sobrevivência do cinema no Brasil durante a crise do novo coronavírus.

Além do Cine Autorama, a Brazucah Produções trabalha em outro projeto que respeita o isolamento social. De acordo com Marco Costa, “a gente está tentando migrar para um outro tipo de evento ao ar livre”, ele consiste em “projetar o filme numa tela próximos a condomínios, então as pessoas poderem assistir os filmes das janelas e a gente transmite o áudio do filme via FM”.

Enquanto isso, os cinemas tradicionais, atualmente com as salas fechadas, buscam por alternativas online, como é o caso do Cine Belas Artes, responsável por disponibilizar o À LA CARTE, streaming da empresa, cujo catálogo é representado por filmes cults, clássicos e recentes.

Já a Cinemark, rede de cinema de grande circulação, durante a pandemia, divulga a venda das pipocas, vendidas originalmente nos estabelecimentos físicos, através de aplicativos de delivery.

Os cinemas brasileiros mostram bastante resistência e disposição para sobreviver ao isolamento social e à crise do novo coronavírus.

Fonte: UOL